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terça-feira

Adaptação e resistência à frustração


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Diariamente Max Gehringer fala com os ouvintes na rádio CBN. Como não consigo ouvi-lo nessa freqüência, aproveito as permanências no escritório para me entreter com vários comentários de uma vez. Nesta semana um destacou-se mais que os outros: “Há empresas em que não vale a pena trabalhar”.

Max respondeu a um profissional que diz atuar em uma das organizações presentes no último ranking “melhores empresas para se trabalhar”. Frustrado, elencou vários aspectos ruins e reforçou: se aquela empresa, com tantos problemas, faz parte das “melhores”, como estão as “piores”?

Polido, nem por isso menos incisivo, a meu ver Max deu um “chega pra lá” no ouvinte. Disse que ele não estava na empresa para fazer essa avaliação, mas para trabalhar e dar o melhor de si naquilo para que foi contratado. Finalizou incentivando o profissional a abrir seu próprio negócio, pois poderia empregar as melhores práticas e viver mais feliz. Max disse que não havia ironia na sugestão, mas... ouça depois me conte seu parecer.

Esse texto vem ao encontro de reflexões que devemos fazer principalmente neste época do ano, em que começam os processos seletivos dos Trainees 2009. Há algum tempo, felizmente, vejo organizações questionarem essa seleção. Algumas perguntas rolam:




  • Para que contratar 10, 15 Trainees se, ao término de dois anos, não haverá vagas para todos?

  • Por que a empresa deve investir pesado na formação desses profissionais se, devido à falta de oportunidade interna, serão certamente contratados “já formados” por outras organizações? Para que, portanto, servir de “ponte” para profissionais e concorrentes?

  • Por que alguns Trainees insistem em assumir uma área ou sistema se ainda lhes falta visão, vivência, tempo?

  • Por que há tanta arrogância neste público? Somos coniventes? Incentivamos de alguma forma?


Junte-se a isso os “candidatos de primeira linha”, oriundos de universidades “do mesmo nome”, que sentem-se a agem como “semideuses” (na melhor das hipóteses). Infelizmente, ainda há o pensamento generalizado que escolas de grande nome formam os melhores profissionais. As possibilidades são grandes, porém não é a verdade absoluta. Há excelentes candidatos em escolas de menor nome, que lutam para concluir seus estudos e exatamente por isso têm excelente aproveitamento acadêmico. Seus currículos, contudo, sequer são lidos.

Você pode retrucar: há profissionais arrogantes e auto-suficientes em todas as universidades. É fato, concordo. Entretanto, observo que os próprios docentes incentivam essa arrogância e prepotência: “lembre-se que você está na universidade XX, fazendo o curso YY e isso não é para qualquer um”. Você já viu esse filme? Eu já, váaaarias vezes...

Estes candidatos entram nas organizações com grande potencial técnico (também não é verdade absoluta) e muitas competências pessoais a desenvolver. Não é demérito, faz parte da evolução, pois é um público jovem, com pouca experiência profissional e pessoal. Sem querer formam-se gestores mimados que, se contrariados, fazem birra, manha, viram a cara e “ficam de mau” com quem não deixou que eles fizessem o que queriam.

Ok... a analogia com crianças de 5, 8 anos não é mera coincidência. Esses são nossos inúmeros gestores: crianças grandes que cresceram de tamanho, mas a maturidade...

Sou a favor de programas de Trainees efetivos, com profissionais que realmente são aproveitados em todo seu potencial, e não “produção de mão de obra barata”. Claro, neste caso não há frustração que agüente!

Profissionais de todos os níveis, principalmente os que almejam ser gestores, devem aprender a lidar com as frustrações. Não apenas ultrapassá-las, mas reforçar-se, fortalecer-se com elas, pois essa é a vida do gestor: frustrações constantes.

Também precisa desenvolver a capacidade de adaptar-se a tudo: atividades a executar, equipe, clientes internos, fornecedores, local de trabalho, produtos / serviços, negócio da empresa, e por aí vai. Quanto mais rapidamente conseguir se adaptar às intempéries (que não são poucas!), melhor: a pressão diminuirá e o prazer em trabalhar aparecerá.

É essencial trabalhar e ser feliz. A remuneração é importante, porém não é suficiente, não basta para manter uma pessoa de bem com a vida por muito tempo. Aqueles que conseguem ser mais resistentes às frustrações e adaptáveis às montanhas-russas da vida, são felizes mais rapidamente e por mais tempo.

Até breve e bjoks!

Um comentário:

Palavras na Brisa Noturna disse...

Olá!
Vamos papear sim!
Já testemunhei experiências positivas e negativas em se tratando de trainnees.
Contratar estagiário para dar uma de mãe e fazer o moleque ou a menininha entenderem q tudo aquilo é sério, e que não se trata de ''brincar de trabalhar'' ninguem merece.
Porém, cito como exemplo, um de nossos escritórios q contrata estagiários fantásticos, profissionais pro-ativos e interessados em aprender sempre, mesmo sendo tão jovens.
Seria coincidencia ou competencia do gerente local?
Conclui que cabe ao contratante aceitar, ou não, esta situação de ter ''mimadinhos'' em seu ambiente de trabalho.